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Pedro tem quase trinta anos. Nasceu no Recife, viveu em Olinda até quatro anos de idade e mora em Paris. Uma vez por ano visita o Brasil, onde tem amigos e familiares. Estuda arquitetura, está no fim do 1º ciclo e ainda não sabe se continuará o curso para tornar-se Mestre em Arquitetura e poder exercer a profissão em Paris. Pensa em morar no Recife, pois diz que o mercado de trabalho está estrangulado na área dele, e gostaria de atuar na cidade em que nasceu, que precisa muito mais do que Paris. Ah! o romantismo dos jovens. Fala português com sotaque francês, porém mais correto do que muitos brasileiros. Pontualmente, ligou dez minutos antes da hora combinada para avisar que atrasaria quinze minutos porque estourou o pneu da bicicleta. Atrasou dez. Tomou uma água e sentamos para traçar um roteiro baseado no que eu tinha passado para ele por e-mail. Primeiro a pé até a Feira da Bastilha, e ao Marché d’Aligre, depois Place des Vosges, Hôtel Sully. Depois de bicicleta um tour pela beira do Sena, Île de la Citè, Notre-Dame, até Parc des Plants. Depois do pique-nique, visita à Mesquita de Paris, metrô até La Villete e retorno para casa de bicicleta com direito a roleta paulista na rotatória da Bastilha. Este é o resumo, vamos aos detalhes.

Os mercados. São mais de oitenta. Inclui-se os mercados como conhecemos, e as feiras de rua. Visitamos e compramos frutas no Marché Bastille,

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Marché Bastille

e queijos no Marché d’Aligre. A feira da Bastilha é diária, as barracas são armadas na madrugada e desarmadas à tarde. Depois das 15h nem parece que havia uma feira ali naquele Boulevard.

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Janelas de ventilação do esgoto.

Aliás, é por baixo deste Boulevard que passa a rota mais exótica de passeio de barco em Paris – os esgotos da cidade. Isso mesmo, um passeio de barco pelos esgotos com direito a passar por galerias cobertas de até 700 metros de extensão, e sem mau cheiro. O Marché d”Aligre tem uma estrutura de ferro, belíssima, semelhante aos nossos Mercados de Casa Amarela e São José, só que bem menor, o que o deixa acolhedor e charmoso, além de muito mais limpo, claro.

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Marché d’Aligre
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Marché d’Aligre




 

 

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Place des Vosges
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Hôtel Sully
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Hôtel Sully
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Homenagem a Louis XIII

 

Atravessando o Monumento à queda da Bastilha, chegamos rapidinho à Place des Vosges, onde conhecemos um pouco mais da arquitetura de Paris dos séculos XVII e XVIII. Ficamos sabendo, por exemplo, que a praça é a mais antiga praça planejada de Paris. Um quadrado perfeito de 140 m de lado foi inaugurada com um carroussel ao centro na festa de casamento de Louis XIII com Anne da Austria, em 1612. Hoje tem uma estátua equestre de bronze representando o Rei Louis XIII, eregida inicialmente pelo Cardeal Richelieu, destruída na Revolução Francesa e restaurada em 1825. Com exceção do Hôtel Sully, todos os outros prédios ao redor da praça são iguais e serviram como padrão para as construções posteriores de Paris. A aristocracia francesa fora de Paris, também adotou o modelo do Hôtel Sully, mansões em L ou H onde do lado direito ficava a cavalariça e entrada de serviço, a esquerda dormitório dos serviçais e ao centro os cômodos dos proprietários; e das residências des Vosges com seus telhados em ardósia e paredes de tijolos vermelhos.

Andar de bike pelas ruas estreitas da île de la Cité.DSC_5788

Observe bem a foto da Catedral. Por este ângulo vê-se uma estátua no alto da lateral que difere das outras por não estar virada de costas para a catedral. Entre os doze apóstolos, Eugène Viollet-le-Duc, arquiteto que restaurou a Catedral na primeira metade do século XIX e construiu a espícula central, colocou-se no lugar de Saint Tomas. Sua atitude é de orgulho pela obra que planejou e executou.DSC_5796

Deixamos as bicicletas na estação da Gare Austerlitz, uma das mais belas de Paris. Ao lado do Jardin des Plants o Museu de História Natural e Paleontologia, que não fica nada a dever aos de Washington e New York. O parque é enorme. Tem zoológico, diversas estufas e canteiros de flores exóticas, museus. Na caminhada pela parte alta do jardim, é possível avistar ao fundo a torre Montparnasse. Escolhemos uma sombra de amoreira, para fazer nosso pic-nic.

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Na saída do jardim, encontramos a Grande Mesquita de Paris, e o Centro de Convivência Islâmico, com seu café, restaurantes e spa abertos ao público.DSC_5827DSC_5822

Caminhamos até o Metrô Censier-Daubenton, e pela linha 7 fomos até o La Villette. Um parque extraordinário, palco de muitos eventos culturais. Inclusive tema de um DVD ao vivo de Lenine, gravado em 2004 no palco do Cité de la Musique – InCité. VEja o álbum completo aqui. Esculturas inquietantes como a bicicleta enterrada, e o edifício feito de madeiras usadas em construções. Elementos vermelhos em ferro, multiuso, geométricos, de vários volumes, quebrando o verde e as estruturas dos prédios mais antigos. O caminho de pontes e aço em meio a floresta de bambus é convidativo ao namoro. O Museu de Ciência e Tecnologia e o Gerode-cinema são prédios belíssimos. O canal de Saint-Martin que é via de transporte de cargas e parte do sistema de tratamento de esgotos de Paris, conectado ao Canal Saint Dennis, onde fica uma das maiores estações de filtração de água, tem uma passarela motorizada que serve de passagem para pedestres e bicicletas.

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Exaustos, voltamos para casa revigorados e com a certeza que tínhamos conhecido um pouco mais de Paris, graças à companhia de Pedro, para quem deixamos uma sextilha acordelada falando do seu pernambuquês com sotaque parisiense, e os erres, “estas coisas”…

 

 

 

 

 

 

Um dia em Paris com Pedro Rabaroux.