Por mais pedras no fundo do mar

A pedra atirada saltita no mar crespo. Perde força e mergulha. Como uma pena ao sabor do vento, flutua na profundeza do mar, agora fluido. Toca o fundo de fina areia. Peixes aproximam-se e examinam a intrusa. A pedra, inerte, luta contra toda água ao redor. A imensidão verde azulada dança sem parar. Tudo, como uma gelatina, move-se para lá, para cá, para um lado e para o outro lado, para trás e para frente. A pedra quer ser imóvel como era quando secava ao sol. Quer a dureza de volta, mas é inútil. Dali não mais sairá. Amolece. Resta sonhar que outras pedras serão atiradas, e saltitarão, e mergulharão bem ali onde ela está. Estas pedras todas juntas, no fundo do mar, limarão umas às outras de tal forma que deslizarão, serão tão leves que as ondas as jogarão num canto qualquer da baía, onde serão achadas, e com sorte, em vez de atiradas, serão usadas para compor um belo jardim.

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