Deserto

Deserto – um soneto para um sábado qualquer

Seguiu o sol seu caminho,

Curvou a linha da visão,

Apagou a chama da ilusão,

Em tons de violeta e vinho.

Uma escuridão reinou em mim,

Habita meu sono estrelado,

Nesta noite de céu desalunado,

No meio deste deserto sem fim.

 

A voz, tão seca, não vai além da cordoalha,

Consola-se, como Sêneca,

Em uma gota de orvalho.

 

O pranto, cristalizado,

Torna-se cascalho, onde piso,

Neste sábado, calado.

 

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