O papel

O papel

A quem dedico

Não me queixo, não tenho mágoas.

Minha distração é acariciar você,

Com o calor da tinta sua brancura abençoar.

Manchar a honra de sua pureza,

Para mim,

É prazer, traz-me paz.

Alivia minha brutal ausência do que sou,

Porque nada sou sem você.

Mas veja bem, não canto sobre qualquer símile seu.

Odeio os iguais a você que já vêm sujos, cheio de letras e abusos.

Rejeito quase tudo que vem de letras e números em suas veias.

Nestes derramo uísque e mel, uma pitada de sal e pimenta,

E engulo, amassado, cru, frito ou assado.

Depois vomito em uma folha limpa que acaricio, abençoo e guardo.

 

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