Garçon!

Mesa para sete

Eu li um poema que desejava me tocar. O poeta dizia de uma mesa a ser posta. Cinco. Menos uma. Menos outra. E o pai se foi. E continuavam cinco à mesa. Tentei fazer o exercício proposto. Lá em casa éramos sete. O meu irmão casou, meu pai morreu e não éramos mais sete, e sim, cinco. Depois minhas irmãs casaram, e ficamos dois, eu e minha mãe. Por mais que me esforce, minha memória impede que veja sete em dois. Posso ver dois em sete. Em cada um dos outro cinco, existia nós dois, minha mãe e eu. Não via sete, nem mesmo dois. Talvez minha mãe visse mais que sete naquela mesa para dois. Ela via a nora, genros e netos. Via a mim, ausente. E ela fez esta conta por trinta e seis anos, sempre somando. Enquanto ela esteve aqui, sete tornaram-se oito, nove, dez, onze, doze.. dezenove.

Choro por não poder dizer como o Peixoto: “enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco” (ou sete, como eu queria).

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