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Quando os dois casais decidiram combinar suas férias para uma viagem à Itália, cada um deles vivia a iminência de rompimento. O roteiro começou em Roma, passou pela região da Toscana, uns dias em Veneza e teve Milão como ponto de retorno. Entre a bênção papal e aquele dia reservado para ver a obra prima de Leonardo da Vinci, momentos de aproximação e outros de repulsa.

Tal gado tangido para fora do curral, dezenas de pessoas a passos ligeiros, vez ou outra olham para trás, procuram ver se amigos e parentes estão bem. Chegam a uma praça, já apinhada de gente. A polícia tenta fazer que continuem em frente. Andiamo! Andiamo!

Lúcia, Pedro, Augusto e Antônia caminham abraçados para fora da turba. Abrigam-se num quiosque de flores. Giorgino os acolhe.

– Va bene, va bene! Venire qui, venire!

– Grazie, amico, mi chiamo è Pedro.

– Que cosa ti è?

O florista os acomoda, cede sua cadeira para Lúcia, pálida, mão no peito, cabelos desgrenhados.

– Non sappiamo! De pronto la polizia mette tutti fuori dalla chiesa!

Pedro gesticula como se nativo fosse, Augusto abana Lúcia e Antônia olha para fora, atenta a alguma onda de violência que se virasse contra eles. O florista acalma os quatro.

– Bella terra il Rio de Janeiro, tutti buona gente… Non ti preoccupare, non avere paura… Siamo sicuri.

Aos poucos a agitação cessa.

– Pedro, vamos embora.

– É, pessoal, já deu, voltamos para o hotel.

– Não Lúcia, calma. Augusto, vamos relaxar, tomar um vinho. Está tudo tranquilo agora e esse lugar é muito agradável.

– Certo, Pedro, tá bem. Agradeça ao amigo por nós.

– Amico Giorgino, grazie per tutti. Tchau.

A praça está pronta para uma noite de festa, decorada com faixas de tecidos vermelho e preto. Um telão de múltiplos monitores instalado na borda da Via Sebeto, vai transmitir direto de Roma a grande final da Copa Itália de Futebol, o clássico entre Milan e Juventus. A superioridade estatística da “Velha Senhora” não intimida os milanistas, que torcem pelo sexto título, depois de quatorze anos. Mas “la Juve” conta com o apoio dos torcedores da Internazionale de Milão, eterno rival do Milan.

Faltam três horas para o jogo, tempo certo para o típico almoço italiano. O restaurante Tommase abre-se em arcos envidraçados, tomando, ao que parece, dois casarões antigos. Dois salões em planos diferentes são separados pelas colunas de sustentação e com decorações distintas. O de cima tem as paredes pintadas em vermelho e muitos espelhos, mesas de laca preta, cadeiras estofadas de encosto alto. O de baixo é descontraído, mesas baixas, sofás e almofadões. É mais estreito e a distribuição das mesas favorece aos fregueses lugares próximos às janelas. Neste ambiente de paredes em tijolo aparente, com serigrafias de cores quentes, que mostram cenas urbanas e divas da música e do cinema dividem a atenção com o pequeno palco ao lado do balcão de bar.

il-cenacolo
Clique na imagem para visitar o site wikipédia sobre o famoso a fresco de Leonardo da Vinci, pintado em 1492

Para facilitar a harmonização dos vinhos, os enófilos do grupo decidem só individualizar no segundo prato. No antepasto, vitela ao modo piemontês, com molho em base de anchovas e atum, regado a vinho branco, vinagre balsâmico, e alcaparras puxadas no azeite virgem. O vinho escolhido é um branco Gavi Di Gavi, de uvas cortese, típicas da região de Piemonte. O primeiro brinde, em honra à vida e seus sustos, leva a conversa para Il Cenacolo, de Leonardo da Vinci, e lembra Jesus celebrando a última ceia com os doze apóstolos: Tomando vinho e repartindo o pão.

– Paulo não estava lá, mas se tornou um dos mais influentes apóstolos, perceberam?

– Verdade, Antônia.

– Porém, Judas ceou com eles naquela noite.

– Lindo isso. Um mistério para mim, Pedro. Mas mostra a grandeza dos planos de Deus para os homens.

– Pode ser, Lúcia. Até concordo que Paulo veio a ser o doutrinador, ainda hoje suas cartas dão o tom do cristianismo. Só que dividiram mais do que uniram. E digo mais, discordo que Judas seja rotulado de traidor e execrado pela história.

– Como assim, Pedro? Agora lascou!

– Veja Calvino, meu caro Augusto. Baseou as teses da reforma protestante nas cartas de Paulo, especialmente aos Romanos e Coríntios. E depois, outros tantos protestantes reinterpretaram Jesus, Paulo e Pedro e fundaram cada vez mais igrejas cristãs? Sei lá quantas denominações existem hoje. O problema é que o religioso pensa que está com a razão, que a única verdade é a sua.

– Ôpa, tudo bem, vamos por partes. Contra o seu argumento de que Paulo provocou dissensões na igreja primitiva, lembro que tem uma passagem na Bíblia, se não me engano, numa das cartas aos Coríntios, onde Paulo adverte os cristãos justamente sobre divisões internas e clama pela união?

– Justo. Conheço. Ele recrimina os irmãos que ficam discutindo quem está com a razão, se Pedro, Apolo ou ele próprio. E pede para que olhem para Jesus Cristo; quer retrato mais fiel do que eu falei? Já havia divisões naquela época.

– Mas não foi Paulo quem provocou as divisões… Ele queria a união em torno de Cristo.

– Entre querer e fazer vai uma distância do tamanho da humanidade, meu amigo. Alguns estudiosos dizem que o tal espinho na carne, pelo qual Paulo tanto sofria, não era um problema físico, mas sim o orgulho e vaidade, pecados dos quais não conseguira se livrar mesmo com a conversão.

– Delírio! A humildade é um dos ensinos mais fortes de Paulo.

– Orgulho de ser humilde, já vi isso.

– Pedrinho, querido, o problema não está em Paulo, ou nas suas cartas, e sim nos homens que não enxergam a verdade cristalina da Bíblia.

– Pois acho que o problema é justamente acreditar que a verdade da Bíblia é única e absoluta…

O garçom se aproximou para substituir taças e recolheu pratos e garrafas vazias. Deixou uma jarra de água gelada. Retornou pouco depois com a caderneta, mas ainda encontrou os quatro destrinchando o menu.

Inhoque, risoto, espaguete, talharim? Vamos tirar na sorte. Porrinha. Não, vamos pedir a sugestão do chef. Pedro, assuma.

– Cameriere! Quali il proposta dello chef per primi piatti?

– Tagliatelle con ragú del giorno, signor.

– Certo, então concordamos que um Chianti Clássico é a melhor companhia para este ragú?

A sugestão de Augusto animou Pedro. Il Castellare di Castellina, safra 2012, é uma grande pedida. Levantaram as taças. Ha! Um brinde ao amor e à liberdade de pensamento!

– Falando nisso, já conhecem a história desse galo negro aqui no selo da garrafa, né?

– Não, conta aí Augusto.

– Dizem que os sieneses e fiorentinos viviam em pé-de-guerra por causa dos limites de seus territórios. Foi então que os governantes, de sabedoria salomônica, propuseram uma disputa. Um cavaleiro sairia de Siena em direção a Florença e outro faria o percurso inverso. Do ponto onde se encontrassem seria traçado o limite entre os estados. O detalhe é que a partida dos competidores deveria se dar no primeiro canto do galo. Acontece que os de Siena escolheram um galo forte e vigoroso para dar a partida, e os de Florença escolheram um galo magro e o deixaram sem comer o dia todo. Ora, qual galo cantou mais cedo? Pois é. Por isso Firenze é tão maior do que Siena.

– Lendas à parte, isso fala um pouco de esperteza política, né não?

– Lá vem Pedro querendo polemizar, agora com política. Melhor não tocar nesse assunto.

– Não é isso, tem tudo a ver com Judas. Ele era um ativista, acreditava que Jesus libertaria os judeus do jugo romano. Aliás, Pedro também e talvez outros apóstolos, não se sabe. O fato é que Judas não teve escolha. Vocês assistiram ao filme ou leram o livro “A última tentação de Cristo”?

– Vi o filme, mas não sabia que era baseado em livro. De quem?

– Um grego, Níkos Kazantzákis, é de 1953. O filme é de 1988. Ele também é o autor de “Zorba, o grego”. Escreveu outro livro sobre o cristianismo, “O Cristo recrucificado”.

– Certo, Pedro, o que tem o filme e o livro?

– Lá tem uma ou duas conversas entre Judas e Jesus, que não estão nos evangelhos, claro, é ficcional, mas é plausível. A diferença de visão entre Jesus e os homens que pensam como Judas, ou seja, Jesus prega que o espírito é o alicerce da liberdade e a arma do espírito é o amor, enquanto Judas diz que o corpo é quem deve ser libertado através da luta contra os tiranos.

– Se é assim, por que Jesus chamou Judas para ser seu apóstolo?

– Chamou porque sabia que Judas o entregaria para morrer. Reafirmo: Judas não tinha escolha.

– Discordo! Temos o livre-arbítrio, sempre podemos escolher e Judas optou por trair Jesus. Acho que lhe faltou fé e esperança.

– Não, Lúcia. Judas fez o que foi designado a ele para fazer.

– Então somos meros fantoches nas mãos de Deus?

– Um pouco, talvez, Augusto. Para as grandes decisões, creio que sim.

– Você está baseando sua opinião numa obra de ficção. Isso não faz sentido. A Bíblia diz claramente que Judas tomou a decisão e se arrependeu.

– A literatura é a arte da reflexão nas palavras, Lúcia. As ideias do autor trazem luz para muitos dilemas e conflitos. Quem garante que a Bíblia não seja a maior ficção de todas?

– Ora, vamos! Eu garanto. Deus garante. A Bíblia é o milagre da inspiração divina. O Espírito Santo é seu único autor, toda palavra que está lá é a própria palavra de Deus.

– É preciso fé para acreditar nisso, Lúcia.

– Você sabe que eu acredito.

– Eu também. Pedro, faz favor de respeitar?

– Calma pessoal, vamos ao segundo prato?

As mulheres levantam-se para ir ao banheiro. Talvez um pretexto para forçar o fim daquela conversa movida por vinho.

– Não aguento estas discussões.

– Você tem razão, Antônia. Pedro fica arrogante demais quando bebe. Baton novo?

– É, lançamento da “Mac”, livre de chumbo. Mas não é só seu marido, amiga. O vinho faz isso. Eles não se controlam.

– Falam dos outros, mas querem sempre ter razão.

– Pois é, mas, mudando de assunto… reparou que rosto marcante tem o garçom?

– Lindo! Ah! Não esqueça, precisamos voltar àquela galeria, para comprar as bolsas, certo?

– Vamos aproveitar eles alegrinhos assim e voltamos hoje mesmo, antes do jantar.

Olhando através da janela os dois observam o movimento. Belas madonas em carne e osso desfilando. Perto das sete da noite sob o céu ainda claro, a praça vai se enchendo de torcedores. Nas ruas ao redor camionetes e furgões vendem cerveja e hambúrgueres, sorvetes, pastéis, “bruschettas”, pizza. Para quem compra, os ambulantes oferecem bancos e cadeiras.

– Olha lá, o povo chegando para o jogo.

– Só tem rubro-negro! Ih rapaz, aquela loiraça dos peitos grandes está dando mole pro rapaz e o marido tá chegando.

– Vixe! Vai ter confusão. Falar em confusão, olha as meninas chegando…

– Quais as cores do Juventus?

– Branco e preto, Antônia. E é ‘da’ Juventus.

– Eita! Central contra Sport.

– Nem de perto, Lúcia. A Juventus é bicampeã da Copa Itália.

– Mas o Milan tem mais charme.

– Pode ser, Lúcia, mas aqui em Milão impera a Internazionale.

– Tem algum brasileiro jogando hoje?

– Acho que Luiz Adriano e Alexsandro no Milan, Neto e Daniel Alves na Juventus.

– Tem Hernanes na Juventus também, Augusto.

– Vamos assistir ao jogo?

– Vamos sim, Antônia, aqui é restaurante e bar, podemos ficar naquela mesa ali da janela, dá para ver o telão.

– Bom, muito bom.

– Também pudera, depois daquele susto lá na Igreja. Merecemos uma farrinha dessas.

– Nem me fale, Lúcia. Finalmente, o que terá sido?

– Sei lá. Se foi bomba não explodiu, Antônia.

– Enfim, vamos ao segundo prato?

– Nossa! Já comi demais.

– Lúcia, eu também, vou pular para a sobremesa.

Antônia e Lúcia se dirigem à mesa de cafés e licores onde folhados e doces saltam aos olhos. As amigas admiram a porcelana fina e a toalha pintada à mão. Fazem um pequeno prato e caminham para a mesa no salão do bar, junto à janela de frente para o telão da rua. Antes passam perto dos homens provocando com o aroma de canela.

– Daqui a pouco nos juntamos a vocês. Eu e Pedro vamos encarar, hein Pedro?

– Sim, vou de costeleta de vitela.

– Qual o molho?

– Um molho tipo ‘barbecue’. Acompanha salada.

– É uma boa ideia, mas vou nesse irresistível bollito de vitela com purê e cebola acridoce.

– Eita, aí complica o vinho.

– Pedimos em taça, cada um o seu.

– Eu continuo no Chianti clássico.

– Deixa ver a carta… Bingo! Malbec, beber um argentino e vê futebol italiano, nada menos brasilianista.

Comem e bebem em silêncio. Degustam a harmonia da costeleta em molho de churrasco com o Malbec, e o do bolinho de vitela agridoce com o Chianti. Ao depositar os talheres nos pratos, suspiram quase ao mesmo tempo.

– Um brinde!

– Carmeriere! Una bottiglia di Vino Santo e il menu di dessert, per quella tavola, per favore. Prego!

Começa a cerimônia de entrada dos times. Na hora do hino italiano a multidão lá fora e mais os garçons dentro do restaurante formam um coro empolgado.

O jogo truncado, os dois times fechados, marcando forte, com poucas chances de gol. Noventa minutos e zero a zero. Entre o tempo regulamentar e o início da prorrogação, a divisão entre as torcidas fica mais nítida. Um grupo de alvinegros chega neste momento, barulhentos e provocadores. Augusto e Pedro percebem a mudança de clima na praça e entreolham-se sem dizer palavra. Alguns empurrões aqui e ali na plateia, xingamentos, um casal com um filho pequeno vai embora preocupado. Passam perto da janela, o menino chorando, quer ficar, mãe e pai com sobrancelhas arqueadas e olhos arregalados puxam-no pelos braços. O menino quase não toca o chão. Dá para ouvir o marido dizer: “Quisto qui finirá in confusione”.

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Termina o primeiro tempo da prorrogação, jogadores cansados poupam forças para a decisão por pênaltis. A impressão é que se alguém fizer um gol, leva a taça. Não há tempo nem fôlego para reação. E acontece o pior. Hernanes é substituído por Morata, que um minuto depois mete a bola no gol do Milan.

Começa o tumulto, troca de socos entre milanistas e torcedores da Inter infiltrados. No lance seguinte ao gol da Juventus, Honda, o jogador japonês do Milan, cai na área e a torcida grita pênalti! A briga se espalha, cadeiras voam, garrafas viram flechas. Os dois casais se afastam da janela. Juventus campeã! Briga na rua! Ouvem-se tiros. A polícia chega com escudos e cassetetes. Bombas de efeito moral.

Parte da fumaça invade o restaurante, todos protegem o rosto, mas a tosse e lágrimas são inevitáveis. Toalhas molhadas com água fria aliviam a ardência. Um homem ferido na cabeça entra no restaurante pedindo ajuda. O senhor é médico? Não, só estou tentando ajudar. Sangra muito. Quebraram uma garrafa na minha testa! Tragam gelo! O supercílio está aberto. Um corte em “L” vai da linha frontal esquerda até quase atingir a pálpebra. Tem cacos de vidro dentro. O homem está anestesiado pela cerveja. É preciso levá-lo ao hospital. Outro entra carregando um menino desacordado. Derrubaram meu filho, ele caiu com a cabeça no chão!

O gerente do restaurante providencia transporte para feridos e clientes escoltados por viaturas policiais. Os brasileiros, entre outros, saem pela rua lateral numa van de turismo. O percurso é tranquilo. Os brasileiros em silêncio são os primeiros a desembarcar, próximo à Estação Central. Precisamos de uma cerveja para lavar a alma. Que seja em qualquer lugar onde não se fale de futebol. No hotel tem um terraço lá em cima, com vista larga, acho que servem café. Talvez ainda esteja aberto.

O prédio da Estação Central de Milão, monumento art déco do tempo de Mussolini, com linhas para os oito cantos da Europa, abre sua porta leste para o largo em frente ao hotel. Do lado oeste o domo da Catedral de Milão pode ser visto com a estátua dourada de Santa Maria Nascente. A vizinhança é formada de prédios baixos com varandas e solários repletos de parreiras, hortas e flores.

– Gente, que dia intenso! Um brinde à saúde! Salute!

– Fiquei pensando, no caminho, sobre o significado de expectativa e esperança, lembrei de Descartes e o efeito da desesperança, e por outro lado como o excesso de expectativa e de esperança pode transformar as pessoas em fanáticas, seja por um time, um deus ou um partido político.

– Tem razão, Augusto, nada em excesso é bom. O próprio Leonardo, falávamos disso quando começou a confusão na igreja, lembram? Eu ia falar dos templários de Sião…

– Lá vem Pedro com ficção de novo!

– Dan Brown não é ficção pura, tem pontos factuais. Um deles é justamente os símbolos e enigmas da Santa Ceia, a esperança e expectativa em torno da descendência de Jesus, o Santo Graal. Neste ponto há semelhanças com o grego que escreveu “A Última Tentação”.

– Eu vi um documentário com Richard Leigh, autor de outro livro sobre o tema, ele diz que Dan Brown bebeu em fontes secundárias, inclusive plagiando o próprio Leigh.

– É possível, Augusto, como se diz as lendas sempre têm um fundo de verdade, porque esse Leigh foi buscar os escritos de outro anterior, o Plantard, que por sua vez deve ter lido Kazantzákis.

– E não foi esse Plantard que confessou ter inventado tudo? Umberto Eco tira a maior onda com essa pseudo-história no “Pêndulo de Foucault”.

– É verdade! Bem lembrado, Augusto. E Jô Soares no “Xangô de Bakerstreet”?

– Chico Buarque no “Meu Irmão Alemão”!

– Eita! Danou-se.

– A verdade é relativa.

– Só não é para os fanáticos, os que vivem cheios de esperança e expectativa.

– Fico com a fé.

O silêncio mais uma vez se impõe. Agora é a madrugada que avança. Pedro bebe o último gole de café no fundo da xícara. Lúcia está encolhida na poltrona, abraçada aos joelhos. Antônia e Augusto beijam-se. O garçom desliga as luzes, recolhe pratos e copos. Há cadeiras viradas por cima das mesas desocupadas.

 

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